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Já não é novidade escutarmos por aí que estamos entrando na revolução tecnológica no mercado financeiro, onde os bancos serão abertos, as informações online e os custos operacionais reduzidos.

Hoje, as pessoas físicas são as que mais se beneficiam desse efeito. A possibilidade de se ter um banco na palma das suas mãos, disponível vinte e quatro horas por dia, sem a necessidade de ir presencialmente em alguma agência bancária.

A flexibilidade e praticidade são alguns dos grandes benefícios da tecnologia no mercado financeiro. Seja no conforto de sua casa, no deslocamento para o trabalho ou na sala de espera para uma consulta médica é possível resolver assuntos financeiros, comprar produtos e pagar contas diretamente pelo celular.

Essas mudanças já começaram a entrar na vida das pessoas e sua adoção é uma questão de tempo. Mesmo aquelas pessoas mais avessas à tecnologia que há 10 ou 15 anos atrás diziam que não precisariam de celular, hoje têm um smartphone consigo e baixam aplicativos.

No entanto, vemos que o real impacto disso na vida das empresas ainda é uma incógnita. As empresas possuem uma dinâmica de trabalho completamente diferente de pessoas físicas exigindo soluções muito mais complexas e avançadas do que simplesmente um app para efetuar suas transações.

Nesse contexto, não é só o fluxo operacional das empresas que é completamente diferente (onde uma estrutura de aprovações e alçadas e controles são fundamentais). Os produtos contratados são outros. Mas se um app não é capaz de resolver essas questões, então o que seria o conceito de open banking direcionado para empresas? Qual é a tal revolução que ele trará para o financeiro das organizações?

Antes de mais nada, precisamos sempre pensar que empresas, via de regra, sistematizam suas rotinas operacionais e financeiras através de ERPs. Eles são extremamente difundidos em empresas que já possuem um determinado porte. Por ser uma ferramenta importantíssima para o gerenciamento operacional, a cada dia que passa estão ficando mais específicos e focados no nicho de negócio que se propõem a atender, além de ter sua popularização cada vez maior, em empresas de portes cada vez menores.

É por aí que o conceito do open banking vai se desenvolver. ERPs integrados à instituições financeiras. O banco, ou as operações bancárias, passarão a fazer parte da gestão da empresa de forma integrada ao seu dia a dia. Respeitarão totalmente os fluxos operacionais, os regimes de alçada e os processos de controle de orçamento. A famosa conciliação bancária desaparecerá nas tesourarias afinal, como o ambiente financeiro estará 100% integrado ao dia a dia da empresa, o que consta no sistema, será de fato o que a empresa tem no banco.

Processos manuais, erros, fraudes, inconsistências, assimetria de informações, lentidão na obtenção de dados, sistemas para compilar informações, tudo isso será eliminado e os custos operacionais das tesourarias serão radicalmente reduzidos.

Isso tudo já é muito bom. Mas esse é só o primeiro efeito que a integração dos serviços bancários operacionalizados através de ERPs terá na vida das empresas. O que virá por aí é muito maior e disruptivo. Trará benefícios tanto para empresas quanto para os bancos.

Vamos exemplificar com uma operação absolutamente corriqueira para empresas, a antecipação de recebíveis. Como funciona hoje?. No cenário atual, os bancos não têm visibilidade sobre aquilo que a empresa está fazendo. Eles oferecem ao mercado uma forma de emitir boletos e se a empresa quer antecipar esse recurso, ela se utiliza da carteira X, se não quiser antecipação, a carteira Y de recebimentos.

Isso obriga a empresa a antecipar o recurso no momento do faturamento, não necessariamente na hora que ela precisa do dinheiro. Nesse formato, caso um empresário precise antecipar recursos para pagar sua folha salarial, por exemplo, ele é obrigado a começar o processo de antecipação dias antes da data da folha, e paga juros sobre um dinheiro que ele não precisaria.

Por outro lado, o banco não tem visibilidade sobre o que está sendo antecipado. Ele não sabe se aquela cobrança está de fato lastreada a uma venda feita, qual a qualidade do sacado ou se o título foi antecipado em duas instituições diferentes.

Como os bancos lidam com isso? Pela estatística. Ou seja, o cálculo dos juros que será cobrado para todas as empresas daquela carteira será dado pela performance estatística do índice de inadimplência de todas as empresas pertencentes à carteira de cobrança.

Em outras palavras, os bons estão pagando pelos ruins. Com isso, o spread bancário aumenta, os empresários corretos acabam pagando em juros o prejuízo gerado por aqueles que se aproveitaram de deficiências sistêmicas para obter uma vantagem (mesmo que temporária). Esses assuntos são temas corriqueiros do dia a dia das operações financeiras, e vistos pelo mercado como circunstâncias, não como problemas.

E no open banking isso muda? Bom, tanto a vida das empresas quanto a dos bancos será totalmente diferente. Em primeiro lugar, a instituição financeira terá acesso ao processo de emissão de nota fiscal de venda ou prestação feita pela empresa. Havendo o cancelamento a cobrança também será cancelada. Melhor, a instituição conseguirá analisar de forma online a solvência do sacado, o que permitirá ter uma taxa dinâmica para a empresa. Estará ligada à questão de adimplência daquelas empresas que estão sendo faturadas, e não mais a um dado estatístico antigo. Dessa forma, empresas notoriamente insolventes não terão suas cobranças aceitas na carteira de antecipação, por exemplo.

Com isso há a diminuição da necessidade de proteção dos bancos, consequentemente do spread bancário, o que resulta em juros mais baixos. Mais que isso, esse tipo de operação possibilitará a entrada de novos agentes de financiamento, aumentando a competição pelo crédito, novamente com tendência de redução de spread nos juros.

A consequência disso é, principalmente, o aumento do dinamismo da economia! Maior segurança jurídica, operacional e financeira para as empresas e instituições financeiras. Elas poderão trabalhar, cada uma na sua especialidade e foco de negócios, por uma economia mais ágil e eficiente.

Esse é somente um dos exemplos dos muitos outros benefícios que a economia terá como um todo com a integração entre as empresas e os bancos. A nova economia está se apresentando diante de nossos olhos, e teremos o privilégio de acompanhar tudo isso de perto!